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“Deus mandou tirar um prego de dentro de você”: com falsos milagres, pastor vira réu por abusar de fiéis no Ceará
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Por Nilton Cesar Santana | 06 de julho de 2026

Imagem: Gemini

Alan Pereira Vicente foi denunciado pelo Ministério Público por estupro e violação sexual mediante fraude; ele está preso preventivamente desde maio em Fortaleza.

FORTALEZA — A frase que abre esta reportagem era uma das principais ferramentas de manipulação utilizadas pelo pastor Alan Pereira Vicente, de 38 anos, para enganar e abusar sexualmente de mulheres em uma igreja no bairro Antônio Bezerra, na capital cearense. A Justiça do Ceará aceitou a denúncia do Ministério Público (MPCE) e tornou o líder religioso réu pelos crimes de estupro e violação sexual mediante fraude.

O acusado está preso preventivamente desde maio deste ano. Segundo as investigações da Polícia Civil, ele se valia da fé e da vulnerabilidade das fiéis para simular milagres públicos e, posteriormente, forçar encontros particulares sob o pretexto de realizar "curas espirituais".

O mecanismo da fraude espiritual

O modus operandi do réu misturava encenações teatrais e terror psicológico. De acordo com os depoimentos colhidos pelas autoridades, o pastor realizava cultos em que fingia materializar e retirar objetos como agulhas e pregos do corpo dos membros da igreja, alegando intervenção divina.

Uma vez estabelecida a autoridade espiritual, ele convencia as vítimas de que elas sofriam de doenças graves ocultas, como tumores e câncer. Para realizar a suposta remoção dessas enfermidades, Alan Pereira exigia que as mulheres fossem a salas privadas, retirassem as roupas e permitissem toques íntimos.

"Ele mandava eu tirar o vestido (...) colocava um pano no meu rosto e mandava eu abrir as pernas e relaxar porque ele ia tirar o câncer de dentro de mim", relatou à TV Verdes Mares uma estudante de 27 anos, que também denunciou ter sido estuprada em um motel após o homem desviar um trajeto de carona.

Outra vítima, uma jovem de 20 anos, relatou que tentou questionar os procedimentos, mas foi silenciada pelo pastor com o uso distorcido de versículos bíblicos. Ele afirmava que os "servos de Deus" tinham o poder de curar enfermidades através do toque.

Intimidação e rede de mentiras

As investigações apontam que pelo menos três mulheres e duas menores de idade foram vítimas do réu. Para garantir o silêncio delas, o pastor recorria a ameaças de morte, afirmando ter forte influência e conexões com facções criminosas locais.

Quando as denúncias começaram a circular internamente, o homem passou a difamar as vítimas na comunidade para descredibilizar a palavra delas, chegando a registrar boletins de ocorrência por calúnia contra as denunciantes. Ele foi expulso da congregação original em abril, mas já havia assumido a liderança de outro ministério antes de sua prisão ser decretada.

Com a abertura da ação penal, o processo avança para a fase de audiências, onde serão ouvidas as testemunhas, as vítimas e o próprio réu, que permanece no sistema penitenciário do Estado.

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