Por Nilton Cesar Santana | 03 de julho de 2026

Foto: Reprodução/Redes Sociais
A máscara da santidade caiu de forma devastadora no Tribunal do Júri de Rio Branco. O homem que subia aos altares da Igreja Assembleia de Deus com a Bíblia em punho, prometendo a salvação e arrastando multidões de até 130 mil fiéis em eventos evangélicos, agora verá o sol nascer quadrado por quase duas décadas. Francisco Nivaldo Vieira Gomes, o outrora aclamado Pastor Maycon Gomes, foi desmascarado pela Justiça e condenado a exatos 19 anos e 6 meses de prisão em regime fechado após tentar mandar a própria esposa para a sepultura.

Foto de Maycon ao lado do pastor e deputado Marco Feliciano Reprodução/ Facebook
Por trás dos discursos inflamados e da imagem de homem de Deus que ostentava com orgulho nas redes sociais, escondia-se um homem violento. O crime de sangue que chocou o Acre aconteceu na noite de 2 de novembro de 2024, dentro do próprio lar do casal, no bairro Bosque. O estopim para a fúria do pastor foi o simples fato de sua esposa, Cláudia Elisângela Silva de Souza, de 54 anos, ter chegado em casa acompanhada do filho.
Tomado por uma ira cega, o pregador partiu para o ataque. Primeiro, agrediu a companheira, deixando marcas visíveis em seu rosto. Não satisfeito, o agressor empunhou uma faca e desferiu um golpe brutal, cravando a lâmina no braço esquerdo de Cláudia e atingindo a sua artéria.

Foto: Reprodução/Redes Sociais
Mesmo perdendo forças e muito sangue, a vítima reuniu energia para fugir do apartamento. Cláudia tombou desmaiada no meio da rua, entre a vida e a morte, sendo salva pelo socorro de populares e do Samu. Na delegacia, surgiram suspeitas de que o pastor estaria embriagado, embora os testes oficiais de alcoolemia não tenham sido registrados no boletim de ocorrência.
No banco dos réus, os argumentos da defesa não convenceram os jurados. O Ministério Público sustentou as provas da acusação, e o Conselho de Sentença reconheceu o crime: Maycon Gomes agiu em um contexto de violência doméstica e familiar, configurando uma tentativa de feminicídio na presença de familiares. O juiz decretou a sentença severa, mantendo o pastor imediatamente na cela, sem o direito de recorrer em liberdade. O homem que antes lotava templos e ostentava fotos com lideranças do mundo gospel, agora cumprirá sua pena no presídio de Rio Branco.