Por Nilton Cesar Santana | 05 de julho de 2026

Foto: Reprodução / Redes Sociais
BRASÍLIA — O deputado federal Reimont (PT-RJ) protocolou uma representação junto ao Ministério Público de Goiás (MP-GO) e ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania pedindo a investigação do pastor Matheus Eduardo, conhecido como “Apóstolo Matheus Eduardo”. Em um culto recente, o líder religioso proferiu declarações que relativizam e atribuem um caráter positivo ao abuso sexual infantil.
Durante a pregação, o pastor chegou a afirmar que as vítimas deveriam "agradecer" pelo abuso, justificando que o trauma teria sido o responsável por levá-las à igreja.
"Você foi abusado na infância? Que bom. (...) Agradece o cara que te abusou. Ele fez um favor pra você. Se não fosse ele, você não estaria aqui sentado", disse o religioso em trecho do vídeo que circulou nas redes sociais.
Limites da liberdade religiosa
Na denúncia, o parlamentar argumenta que as falas extrapolam a liberdade de expressão e religiosa, além de violar a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Reimont pede a instauração de um procedimento investigatório e a apuração de responsabilidades nas esferas civil, administrativa e penal — com foco nos crimes de incitação e apologia ao crime (artigos 286 e 287 do Código Penal).
O documento foi encaminhado ao Procurador-Geral de Justiça de Goiás, Cyro Terra Peres, e à ministra dos Direitos Humanos, Janine Melo. O Ministério Público deverá avaliar o caso e decidir sobre a abertura de inquérito.