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MONSTRO DISFARÇADO DE CIDADÃO DE BEM: Pastor do PL que pregava a moralidade é preso por torturar bebês e animais
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Por Nilton Cesar Santana | 03 de julho de 2026

Foto: Reprodução/Redes Sociais

BAGÉ (RS) — O discurso público de moralidade, a retórica religiosa e a defesa ferrenha dos valores tradicionais ruíram de forma avassaladora na cidade de Bagé, no interior do Rio Grande do Sul. Tiago Ximendes, conhecido amplamente na região como pastor evangélico e atuante como vereador suplente pelo Partido Liberal (PL), foi preso preventivamente pela Polícia Federal. Por trás da fachada de "cidadão de bem" e líder comunitário, as investigações da Operação Contra Barbariem revelaram a face de um homem apontado como peça-chave em uma das redes de tortura mais cruéis e chocantes descobertas recentemente no país.

​Ximendes e o grupo do qual fazia parte são acusados de cometer episódios reiterados de violência física e psicológica extrema contra vítimas em absoluta condição de vulnerabilidade. O alvo da crueldade do bando envolvia cães, gatos e, de forma ainda mais estarrecedora, crianças pequenas e bebês.

​O "Arquivo do Horror" no Celular

​A queda do pastor começou a se desenhar a partir de investigações cibernéticas que rastreavam o compartilhamento de materiais ilícitos na internet. No entanto, o peso definitivo das provas contra o líder religioso foi consolidado quando os agentes federais apreenderam e periciaram o seu aparelho celular.

​De acordo com o boletim oficial da Polícia Federal, foi no telefone de Tiago Ximendes que as autoridades encontraram o acervo digital que desencadeou a derrocada de toda a organização. O aparelho continha farto material audiovisual — fotos e vídeos — registrando as sessões de tortura. O conteúdo era tão explícito e detalhado que serviu como uma espécie de "mapa" para que a PF identificasse, localizasse e prendesse outros nove integrantes do grupo criminoso.

​Ação Coordenada da Polícia Federal

​Para desarticular a quadrilha e cessar imediatamente o sofrimento das vítimas, a PF deflagrou uma ação coordenada que mobilizou dezenas de agentes na região Sul do estado. Ao todo, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão e 9 mandados de prisão preventiva expedidos pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Bagé. Além da cidade-sede, as ordens judiciais também foram cumpridas nos municípios de Candiota e Canoas.

​A principal linha de investigação aponta que os envolvidos tinham funções bem divididas. Enquanto alguns praticavam os abusos, outros — incluindo o pastor — atuavam ativamente na produção, edição e compartilhamento dos registros em plataformas digitais. A polícia agora trabalha para descobrir a extensão do alcance desses vídeos e se havia uma rede de comercialização e monetização desse material no submundo da internet.

​Da Tribuna ao Banco dos Réus

​A prisão de Tiago Ximendes gerou uma onda de indignação e revolta na comunidade local. Conhecido por usar suas redes sociais e o ambiente eclesiástico para pregar discursos de retidão, punição rigorosa a criminosos e a preservação da família, o suplente de vereador agora se vê diante do exato oposto daquilo que tentava projetar publicamente.

​O caso segue sob segredo de Justiça na Comarca de Bagé devido à presença de menores de idade entre as vítimas. Os investigados permanecem detidos no sistema prisional e responderão, na medida de suas responsabilidades, por crimes de organização criminosa, maus-tratos severos a animais e imposição intencional de sofrimento físico e mental contra crianças e adolescentes (tortura qualificada). Se condenados, as penas somadas podem ultrapassar décadas de reclusão.

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