Por Nilton Cesar Santana | Data: 03 de junho de 2026

Foto: Reprodução / Redes Sociais
A fachada do cidadão exemplar e religioso ruiu de forma vergonhosa em Araçatuba, no interior de São Paulo. José, um homem de 68 anos conhecido na comunidade como "Pastor José" — famoso por pregar fervorosamente contra o pecado e por sua extrema rigidez doutrinária —, foi denunciado por assédio sexual. Ele foi flagrado em vídeo cometendo abusos verbalmente inacreditáveis contra uma passageira enquanto trabalhava como motorista de aplicativo.
O caso ganhou repercussão nacional após o portal Metrópoles expor o teor das gravações, trazendo à tona o verdadeiro abismo que existe entre o discurso moralista de púlpito do Pastor José e sua conduta predatória na vida real.
O Flagrante Incontestável
O crime aconteceu na última segunda-feira, dia 1º de junho. A vítima, que havia solicitado a corrida apenas para buscar o filho na escola, viu o trajeto se transformar em um pesadelo.
Com o celular, ela conseguiu registrar a postura asquerosa do motorista. No áudio, o homem que publicamente condenava os pecados alheios perde completamente o pudor, dispara termos de baixo calão — proferindo a frase absurda "mije na minha cara" — e chega a oferecer dinheiro para que a passageira aceite ter relações sexuais com ele. Diante do teor incontestável das imagens, a plataforma de transporte baniu imediatamente o perfil do agressor.
A Linha de Defesa que Consegue Ser Ainda Pior
Ao se apresentar na delegacia, o pastor tentou aplicar o velho "mito da culpa da vítima" para tentar se esquivar do crime, aleando que o vídeo estava fora de contexto. A justificativa apresentada por ele foi um soco no estômago:
- Ele afirmou em depoimento que achava que a passageira era uma garota de programa.
- Sustentou que as falas pesadas gravadas eram apenas uma "negociação" financeira que acabou não chegando a um acordo de preço.
A Resposta Avassaladora da Polícia
A farsa montada pelo investigado foi demolida imediatamente pelas autoridades. A delegada Luciana Pistori Francino, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Araçatuba, deu uma declaração cirúrgica que põe fim a qualquer tentativa de passar pano para o agressor:
- Zero Evidências: Não há absolutamente nenhum indício ou prova de que a passageira exerça a profissão alegada pelo criminoso.
- O Mito do Consentimento Presumido: A delegada reforçou publicamente que, mesmo se a mulher fosse garota de programa, isso jamais justificaria o crime ou retiraria a gravidade do assédio.
"Nenhuma profissão ou condição social dá o direito a um criminoso de violar a dignidade e o respeito de uma mulher."
O Mito Desmascarado
O Pastor José foi ouvido e, conforme a legislação vigente, foi liberado para responder ao processo em liberdade enquanto a Polícia Civil conclui o inquérito.
O caso deixa uma lição clara e dolorosa para a sociedade: a rigidez doutrinária e os discursos agressivos contra o pecado, muitas vezes, não passam de uma cortina de fumaça. Esse verniz de santidade é usado por mentes predatórias para conquistar a confiança pública e esconder condutas deploráveis longe dos olhares da igreja. As aparências não apenas enganam; neste caso, elas assombram.
Continuaremos acompanhando os desdobramentos policiais para trazer o desfecho dessa investigação.