Por Nilton Cesar Santana 27 de maio de 2026

Foto: Reprodução/Redes Sociais
A ameaça havia sido feita.
Em meio ao desgaste de um relacionamento marcado por conflitos, medo e ciúmes, o homem teria avisado à ex-companheira o que pretendia fazer. Segundo relatos de familiares ligados ao caso, ele foi direto e perturbador:
“Vou lhe matar dentro da igreja.”
O que parecia apenas mais uma ameaça dita no calor de um relacionamento destruído acabou se transformando em uma sentença anunciada.
Na noite de 27 de agosto de 2019, diante de uma igreja cheia, a promessa macabra foi cumprida.
Famílias ocupavam os bancos. Crianças acompanhavam os pais. Fiéis ouviam atentamente a mensagem daquela noite. No altar, a pastora Rose Meire Fermino de Andrade Mendonça, conhecida como “Pastora Cida”, de 48 anos, pregava diante da congregação em Aquidauana, no Mato Grosso do Sul. O ambiente era de oração, fé e devoção.
Até que os tiros interromperam o culto.

Vítima foi morta enquanto pregava em culto evangélico, diz polícia em MS — Foto: Polícia Civil/Divulgação
Segundo a investigação, o autor dos disparos foi o ex-marido, Carlos Alberto Mendonça, homem que não aceitava o fim do relacionamento e que, conforme relatos do caso, já havia ameaçado matar a vítima justamente dentro da igreja. Armado, ele entrou no templo e atirou contra a pastora diante de dezenas de testemunhas, transformando um culto lotado em uma cena de pânico, correria e horror.
Mas aquela tragédia não começou naquela noite.
De acordo com informações policiais, a pastora tentava retirar o ex-marido da residência havia cerca de dez anos. Após quase três décadas de relacionamento, ela já não suportava a convivência marcada por conflitos e tentava reconstruir a própria vida. Dias antes do crime, procurou ajuda e conseguiu uma medida protetiva após demonstrar medo do comportamento do ex-companheiro. Pessoas próximas relataram episódios de possessividade e ciúmes excessivos.
Para muitos ao redor, havia ainda uma aparência de mudança.
O homem frequentava o ambiente religioso e demonstrava aproximação com a igreja, algo que chegou a ser interpretado por alguns como um possível arrependimento ou tentativa de reconstrução familiar. Mas a investigação revelaria outro cenário: por trás da aparente conversão, havia ressentimento, obsessão e um plano sendo preparado.
Segundo o caso, Carlos Alberto teria feito um empréstimo de aproximadamente R$ 3 mil para comprar um revólver calibre .38 e munições. O motivo alegado posteriormente seria o inconformismo com a separação e o ciúme.
Na noite do crime, a igreja estava cheia quando o horror aconteceu.
O som da pregação deu lugar aos estampidos. O desespero tomou conta do templo. Pessoas correram, outras tentaram socorrer a pastora caída diante do altar. O lugar que deveria representar abrigo espiritual se transformou, em segundos, em cenário de trauma para todos os presentes.
Rose Meire ainda foi socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.
Após o assassinato, Carlos Alberto fugiu, retornando horas depois ao local do crime. Nos fundos da igreja, tentou tirar a própria vida com uma faca no peito, sendo impedido por um dos filhos. Preso, confessou o feminicídio. Mais tarde, viria à tona outro detalhe perturbador: ele já havia sido condenado anteriormente pelo assassinato de outra ex-companheira, ocorrido décadas antes no Mato Grosso.
Em setembro de 2020, a Justiça condenou Carlos Alberto Mendonça a 19 anos, 7 meses e 3 dias de prisão em regime fechado pelo assassinato da pastora.
A frase dita antes do crime continuaria ecoando como um aviso ignorado:
“Vou lhe matar dentro da igreja.”

Foto: Reprodução/TV Morena
E foi exatamente ali, diante de uma congregação lotada, que a ameaça se transformou em tragédia.

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