O crime ocorreu em Viamão (RS). O pai, um pastor e missionário evangélico estadunidense que atuava de forma itinerante, confessou as agressões. A investigação aponta que a esposa, de nacionalidade japonesa, também era agredida pelo homem.
Por Nilton Cesar Santana | 08 de julho de 2026

Foto: Reprodução/Redes Sociais
PORTO ALEGRE — Os órgãos do pequeno Oliver Golden Grayson, de 3 anos, foram captados para doação na manhã desta quinta-feira (9), no Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre. A criança teve a morte cerebral confirmada na noite de quarta-feira (8), após passar dias internada em estado gravíssimo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica devido a uma sessão de espancamento provocada pelo próprio pai.
O agressor, o missionário evangélico estadunidense Dandre Jermaine Grayson, de 33 anos, está preso preventivamente desde o último domingo (5), quando o crime aconteceu.
Atuação religiosa e estilo de vida
Dandre não possuía vínculo fixo com uma única denominação religiosa local. No Brasil, ele atuava como pastor itinerante, viajando para pregar em várias igrejas e sobrevivendo por meio de ofertas voluntárias arrecadadas nessas congregações. A família estrangeira reside no país há nove anos e havia se mudado para o distrito de Águas Claras, em Viamão (na Região Metropolitana de Porto Alegre), há cerca de seis meses.
Detalhes do crime e motivação fútil
De acordo com a delegada Luana Tamiozzo Medeiros, responsável pela investigação na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), o homem admitiu, em depoimento, ter desferido socos no peito e no abdômen do filho, além de bater a cabeça do menino contra o chão.
À polícia, o pastor deu uma justificativa que chocou as autoridades: as agressões teriam sido motivadas pelo fato de o menino não ter lhe dado "bom dia".
O próprio agressor levou a criança ao hospital de Viamão no domingo. Devido à gravidade dos ferimentos e das múltiplas lesões constatadas, a equipe médica suspeitou imediatamente de maus-tratos e acionou o 18º Batalhão de Polícia Militar. Dandre foi preso em flagrante no local e, na segunda-feira (6), a Justiça converteu a prisão em preventiva durante a audiência de custódia.
Histórico de violência e proteção à família
A investigação policial revelou que a violência na residência não era um caso isolado e se estendia por todo o núcleo familiar. Além do inquérito por homicídio qualificado contra o filho de 3 anos, a Polícia Civil investiga Dandre por violência doméstica contra a esposa, que é de nacionalidade japonesa. Segundo as apurações, ela também era vítima frequente de agressões físicas e apanhava do marido. Diante do histórico de abusos, a polícia solicitou uma medida protetiva de urgência para garantir a segurança da mulher.
As autoridades também localizaram registros em pelo menos outros dois estados brasileiros — por onde a família passou ao longo dos últimos nove anos — apontando que outros três filhos do casal (de 5, 7 e 9 anos) também já haviam sido vítimas de agressões semelhantes por parte do pai. A situação de um bebê de apenas 1 ano também está sendo apurada pelas autoridades.
Por determinação do Conselho Tutelar, os quatro filhos sobreviventes foram retirados do convívio familiar e encaminhados para acolhimento institucional de forma protetiva.
Até a última atualização desta matéria, a defesa de Dandre Jermaine Grayson não havia sido localizada para se manifestar sobre as acusações. O espaço segue aberto para contraponto.
Como denunciar: Casos de violência, negligência ou maus-tratos contra crianças e adolescentes devem ser denunciados imediatamente através do Disque 100 (serviço nacional gratuito e anônimo) ou acionando o Conselho Tutelar local e a Polícia Militar (190) em situações de emergência. Casos de violência doméstica contra a mulher podem ser denunciados pelo Ligue 180.