Por Nilton Cesar Santana | 07 de julho de 2026

Foto: Reprodução / Redes Sociais
PARNAÍBA, PI – Em uma decisão histórica contra a violência sexual infantojuvenil, a Justiça do Piauí condenou o ex-pastor evangélico e treinador de futsal Natanael Ribeiro de Moraes a uma pena de 103 anos e 4 meses de prisão. A sentença, proferida pelo juiz Willmann Izac Ramos Santos, da 1ª Vara Criminal da Comarca de Parnaíba, põe fim a um ciclo de abusos que se estendeu por quase uma década no litoral do estado, vitimando pelo menos 11 adolescentes.
Natanael, que já estava preso preventivamente desde maio de 2025, teve o direito de recorrer em liberdade negado pela Justiça. Além da longa pena de reclusão, o réu foi condenado ao pagamento de R$ 135 mil em indenizações por danos morais às vítimas.
O abuso da fé e do esporte
De acordo com as investigações, os crimes ocorreram entre os anos de 2014 e 2023. O acusado utilizava sua dupla posição de influência na comunidade — como líder religioso e supervisor de uma escolinha de futebol — para se aproximar dos jovens.A sentença destaca o uso de um "estelionato espiritual" e de forte manipulação psicológica. Natanael buscava atrair adolescentes em situação de vulnerabilidade afetiva, frequentemente conquistando a confiança de famílias que lidavam com a ausência da figura paterna..
Valendo-se da fé, o Pastor distorcia passagens bíblicas e criava o pretexto de uma "paternidade espiritual" para forçar os jovens a toques físicos e atos libidinosos durante supostos momentos de aconselhamento e oração. Paralelamente, ele alimentava falsas promessas de ascensão e sucesso no futebol profissional para garantir o silêncio e a submissão das vítimas.
Condenação e impacto
O réu foi enquadrado em crimes de importunação sexual, violação sexual mediante fraude e na produção e posse de material pornográfico envolvendo menores de idade. Diante das provas e dos depoimentos contundentes apresentados pelo Ministério Público, o acusado chegou a admitir um dos casos durante os interrogatórios.
A decisão judicial foi recebida por especialistas e defensores dos direitos da infância como um marco rigoroso no combate à exploração sexual e ao abuso de poder institucional e religioso no estado do Piauí.