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Pastor da Igreja O Tabernáculo é preso sob suspeita de abusar de adolescentes na Grande São Luís; ele justificava atos como “ordem de Deus”
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Por Nilton Cesar Santana | 10 de julho de 2026

Foto: Reprodução/Instagram

PAÇO DO LUMIAR – Na última quinta-feira (9), a Polícia Civil do Maranhão prendeu preventivamente um pastor da instituição religiosa localizada no bairro Lima Verde, em Paço do Lumiar, sob a acusação de abuso sexual. De acordo com informações detalhadas pela delegada Mara Eunice, titular da Delegacia de Polícia do Maiobão, três vítimas já foram identificadas e prestaram depoimento: atualmente, elas já são adultas, sendo dois jovens de 18 anos e um de 19 anos. Os crimes, no entanto, vinham ocorrendo de forma continuada.

Após a repercussão das investigações, a comunidade religiosa alterou o nome do local — que antes se chamava Palavra Falada e passou a se denominar O Tabernáculo — em uma tentativa de desvincular a imagem da igreja dos crimes atribuídos ao ex-líder. Segundo as apurações, o pastor utilizava uma sofisticada rede de manipulação psicológica, discursos de teor divino e suborno material para violar e silenciar as vítimas durante o período de desenvolvimento delas.

Segundo os depoimentos colhidos pela equipe policial, o suspeito utilizava a própria estrutura da instituição e momentos de isolamento para praticar os crimes. Sob o pretexto de realizar um suposto "acompanhamento corporal", o pastor ordenava que os jovens permitissem registros fotográficos e gravações de suas partes íntimas. Para anular qualquer capacidade de resistência ou questionamento, o investigado utilizava de forma categórica a justificativa litúrgica dentro do templo: "Deus mandou tirar uma foto do seu varão para ver o desenvolvimento".

A apuração apontou que os abusos não se restringiam ao perímetro do templo. O investigado aproveitava atividades externas, como excursões a rios e cachoeiras da região, para afastar as vítimas do perímetro urbano e da vigilância familiar. Longe do olhar público, o isolamento geográfico facilitava a reincidência dos atos e a produção de novas fotos e vídeos. Como forma de selar o segredo e garantir a manutenção do ciclo de exploração, o homem distribuía presentes e agrados materiais após as sessões, gerando uma dinâmica de barganha e culpa que retardou a denúncia por parte dos jovens.

O esquema de violência silenciosa começou a ruir após um membro da própria congregação notar comportamentos suspeitos e formalizar a denúncia às autoridades. A partir do relato, a Polícia Civil representou pelo mandado de prisão preventiva. O investigado foi localizado e capturado no bairro Alto da Esperança, na região do Itaqui-Bacanga, em São Luís.

Durante a ação, os policiais realizaram a apreensão de um vasto arsenal tecnológico na posse do suspeito, incluindo computadores, celulares, pendrives e um tablet. O material foi encaminhado para a perícia técnica, que buscará rastrear as fotos, vídeos, mídias digitais deletadas, históricos de mensagens e dados de geolocalização que comprovem o aliciamento e o armazenamento dos registros ilícitos. O pastor foi conduzido à Central de Inquéritos e Custódia, onde permanece à disposição da Justiça enquanto o inquérito presidido pela autoridade policial segue em andamento para apurar a existência de outras possíveis vítimas.

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