Por Nilton Cesar Santana | 20 de julho de 2026

Foto: Reprodução/Redes Sociais
As investigações da Polícia Civil de Roraima contra os pastores evangélicos Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamila Moraes de Souza, de 24 anos, revelam detalhes de um esquema que mistura manipulação religiosa, desvio de recursos de fiéis e a continuidade de crimes sexuais mesmo à distância. O casal, que liderava uma congregação no bairro Cinturão Verde, em Boa Vista, está foragido desde o final de abril, quando fugiu para Manaus (AM) após descobrir o início das investigações.
Segundo o inquérito conduzido pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), os suspeitos usam o estatuto da própria igreja — que previa punições severas para atos considerados de "rebeldia" — para coagir e silenciar as vítimas, a maioria meninas com idades entre 12 e 18 anos. Ao menos sei vimar foram identificadas oficialmente, e os abusos eram justificados pelo casal como se fizessem parte de um "propósito espiritual".
Financiamento da fuga e abusos virtuais

Foto: Reprodução/Redes Sociais
Depoimentos integrados ao caso apontam que a tesouraria da igreja era utilizada para inflar as contas pessoais dos pastores. Ao notar a iminência da ação policial, o casal fugiu levando os dízimos e ofertas arrecadados da comunidade local, utilizando os recursos para financiar o deslocamento de ônibus rumo à capital amazonense.
A Secretaria de Segurança Pública de Roraima informou que a polícia chegou a identificar possíveis localizações dos suspeitos na capital do Amazonas. No entanto, quando os agentes chegaram aos endereços em Manaus, eles já haviam fugido.
A distância, porém, não interrompeu a conduta criminosa do pastor. De acordo com a DPCA, os investigados mantêm o contato e o monitoramento das jovens pela internet, dando continuidade aos abusos virtuais. O inquérito aponta que Wenderson realizava videochamadas com uma das vítimas; durante as transmissões, ele se masturbava e exigia, sob forte pressão psicológica, que a adolescente também se exibisse em frente à câmera.
Destruição de provas e situação legal
A polícia também aponta que o casal ordenou, de forma coordenada e mesmo estando em outro estado, a eliminação de evidências materiais. Por ordens diretas de Wenderson, um aparelho celular com potenciais provas foi destruído a marretadas por colaboradoras da igreja. Paralelamente, a pastora Arielly exigiu que uma das vítimas apagasse uma conta de e-mail que armazenava um acervo de aproximadamente 14 mil arquivos, entre fotos e vídeos.
Com a prisão preventiva decretada pelo Poder Judiciário, Wenderson e Arielly são considerados foragidos e respondem por crimes como estupro de vulnerável, importunação sexual, fraude processual e falsidade ideológica. Em nota, a defesa dos investigados declarou que os clientes são inocentes, possuem bons antecedentes e que aguardam o acesso irrestrito aos autos do processo para se manifestarem formalmente.